Todos sabemos que nossas crianças estão cada vez mais perdidas nos seus joguinhos internéticos, nas telas dos smartphones e computadores. E nós? Será que nos damos conta do que ocorre cada vez que soa o alarme de uma mensagem nova no WhatsApp?
Se dermos uma pequena pesquisada sobre adição ao WhatsApp, ( WhatsApp addiction), perseguição no WhatsApp (WhatsApp stalking) , veremos milhões de artigos, pesquisas acadêmicas, livros, tentando compreender este fenômeno que acomete cerca de 400 milhões de pessoas no mundo todo e que cresce a uma média de 1 milhão de pessoas ao dia.
Há testes para verificar o grau de adição, com perguntas do tipo: você checa o seu WhatsApp logo que acorda pela manhã e antes de dormir? Você fica feliz quando recebe o sinal de mensagem? você se desespera se alguém não responde à sua mensagem apesar de tê-la lido? Você fica inquieto e ansioso se não há acesso ao wifi, sentindo que está perdendo algo importante? etc.
Há até aplicativos para monitorar sua adição e mostrar quando deve sair do aplicativo porque sua quota diária já se esgotou. ( Breakfree). O que há de tão aditivo neste aplicativo, afinal? Há muitas explicações. Mas as que eu julguei importantes são as que se referem ao narcisismo humano e à necessidade vital, que todos temos, de nos sentirmos estimados e inseridos num grupo de pertinência humana.
Teste sociométrico constante
O WhatsApp nos dá acesso a vários grupos e nos confere uma identidade digital. Fazemos alianças pessoais nestes grupos. Recebemos confirmações de nossa importância, inteligência, sex-appeal, etc. Ou, ao contrário, recebemos críticas, rejeição, desprezo. Vivemos num verdadeiro teste sociométrico constante, avaliando os outros e sendo avaliados por eles. Vivemos numa alternância de euforia egóica ( sou amado, admirado), e depressão melancólica (ninguém nunca gosta de mim, ninguém me responde, etc. ).
E o pior é que perseguimos as razões alheias e tecemos diálogos internos sobre as motivações dos outros sem checarmos a realidade de nossas presunções. Por exemplo: por que ele não respondeu à minha mensagem se está online? Com quem estará falando? Ela nem leu o que escrevi, etc.
É provável que um telefonema à pessoa em questão resolveria, rapidamente estas perguntas todas e recolocaria nosso ego no lugar certo. Afinal nós não somos o centro do mundo e nem tudo tem a ver conosco. O outro pode estar doente, ter problemas mais urgentes, enfim, realmente, acreditem, ser outra pessoa, com direito a existência e razões próprias.
Paradoxalmente, preenchidos superficialmente em nossa necessidade de contato, nunca estivemos tão sozinhos, presos em nossas especulações narcísicas, como uma cobra que come o próprio rabo.
Vocês já conhecem o spinner? É um peão metálico que gira rapidamente, nunca para, apenas acelera cada vez mais. Ele tem sido recomendado como brinquedo terapêutico para ansiedade infantil e TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade ou DDA – Distúrbio do Déficit de Atenção.
Um artigo no New York Times sugere que este brinquedo é, na realidade, a metáfora mais fiel da nossa era. Loucamente acelerada, com comunicações rápidas, imprecisas e superficiais que enchem nossas mídias sociais. Twitter, facebook, Instagram…… somos inundados por uma quantidade imensa de informação inútil. Essa enxurrada de informação nos instiga a consumir milhões de ofertas, compras, saberes, filmes, fofocas, etc.
Estamos o tempo todo monitorando nossas taxas cardíacas. Navegando incessantemente pela internet e enchendo os estúdios de meditação, como se uma hora de atenção focada pudesse servir de antidoto para toda a aceleração que a precede e sucede.
Transtorno
Nos EUA, de acordo com o Centro Nacional de Saúde mental 38% das meninas de 13 a 17 anos e 26% dos meninos apresentam transtorno de ansiedade e, nas universidades, este diagnóstico é superior ao de depressão. Parece que mudamos da ‘Era do Prozac”, para a Era dos Ansiolíticos” e da maconha, uma droga que, reconhecidamente, aplaca a ansiedade e movimenta uma indústria de bilhões de dólares.
Além, é claro, das questões político-econômicas, terrorismos bombásticos, corrupção, guerra fria entre China, Rússia e Coréia do Norte, enfim fatos cotidianos que causam sensação de perigo global, fartamente propagandeado pela mídia jornalística.
Enfim, este peão que nos representa como seres humanos acelerados e dissociados, corre, corre, para onde, para quê? Um dos meu primeiros analistas, me disse um dia que “quem corre muito chega mais cedo aonde todos os seres humanos vivos estão indo, ou seja, na morte”.
Há que curtir o caminho, desacelerar, administrar a sensação de perda de algo. Se estamos perdendo algo, é o momento presente, o único aonde realmente estamos.
APLICATIVO CONTRA A DEPRESSÃO, ANSIEDADE, OU INSÔNIA?
QUE TAL UMA SESSÃO PSICOTERAPÊUTICA VIA SKYPE OU UM
PSICOTERAPIA – Vocês sabiam que já existem cerca de 1.490 aplicativos para controle de ansiedade, 2.193 aplicativos para problemas relacionais, cerca de 948 para lidar com depressão, e mais de 4.000 para terapia cognitiva?
Existe muito dinheiro sendo aplicado por grandes incorporações para a criação de aplicativos de saúde mental e saúde geral. É a segunda onda de novidades virtuais que adentra e disputa o mercado das psicoterapias. A primeira onda foi a generalização dos atendimentos via Skype, Face Time e telefone, inicialmente reservados para situações excepcionais, quando terapeuta ou paciente viajavam e o atendimento se fazia necessário. Atualmente, há terapeutas que apenas atendem via Face Time, e que advogam não sentir necessidade da presença física do cliente.
Como ajudam
Quanto aos aplicativos, como saber se eles ajudam? Um artigo na revista Psychotherapeutic Networker[1], de 2016, avalia esses aplicativos e, apenas para ilustrar, farei um breve resumo. Existem, basicamente, 5 tipos de aplicativos, quase todos oferecendo informações cognitivo-comportamentais:
Rastreadores de humor: pretendem ajudar o cliente a associar determinados estados de humor com pensamentos e ações decorrentes: Ex: Optimism, Mood 24/7, Moody Me, etc.
Eliciadores de atividade: oferecem, tipicamente, ferramentas para lidar com desafios do dia a dia. Ex: SuperBetter, Reducing Stress, Being Awesome, Sleepio para insônia, Pacifica,
Práticas de meditação: oferecem dicas para meditar, ou meditações guiadas. Existem cerca de 1147 aplicativos com este objetivo, quase um modismo cultural. Ex: Headspace (muito bom), Smiling Mind, etc.
Interações em tempo real: oferecem suporte emocional de terapeutas, coches, ou voluntários, normalmente cobrando uma taxa por hora ou mensal. Ex: Talksspace, Joyable, 7 Cups of Tea, etc.
Auxílio tecnológico – são aplicativos sofisticados, futurísticos, que utilizam biossensores para coletar informações fisiológicas e emocionais do usuário, através de realidade virtual, badanas para monitorar atividade cerebral, padrões de movimento, padrões de interação, marcadores de emoção, etc. Ex: Muse, MoodRhythm, etc. Expressões como “fenótipo digital”[2] começam a surgir, mostrando como a tecnologia pode ajudar a monitorar a saúde humana, física e mental.
Em geral, os aplicativos são baixados gratuitamente, mas logo começam a encorajar o cliente a comprar outros serviços, por exemplo, uma interação com um assistente real, que pode ser terapeuta, ou não.
Dentre os principais senões ao uso destes aplicativos está a questão da privacidade e do sigilo e o fato de ainda serem exíguos os estudos sobre sua utilidade. Sem dúvida, vivemos numa era “Big-Brother”[3], onde todos sabem tudo, inclusive os problemas íntimos, e saúde mental dos outros. Imaginem as discriminações que podem ocorrer, se estes traços digitais começarem a comandar as escolhas de funcionários, parceiros afetivos ou preços de seguros-saúde?
Será que a psicoterapia está com seus dias contados?
Talvez esta pergunta represente uma falsa dicotomia: ou aplicativos ou psicoterapia. Por que não, uma psicoterapia que possa também utilizar aplicativos para auxiliar seu cliente? Pessoalmente costumo indicar o Headspace, um aplicativo de meditação idealizado por Andy Puddicombeum[4] ‒ um inglês, ex-monge budista.
Há pessoas sem acesso à psicoterapia e que podem sim se beneficiar de um aplicativo com informações comportamentais-cognitivas. É o caso do aplicativo PTSD Coach, para estresse pós-traumático, criado pelo Departamento de Defesa americano para veteranos de guerra.
Também há pessoas que, mesmo com acesso à psicoterapia, talvez prefiram mais os aplicativos ao contato humano face a face. Eles apresentam certas vantagens, a saber:
1 – Conveniência: o tratamento pode ocorrer em qualquer lugar a qualquer hora, inclusive 24 horas por dia;
2 – Anonimato: não envolve outras pessoas;
3- Pode representar um primeiro passo para buscar ajuda. Antigamente eu prescrevia alguns livros de autoajuda para que o cliente percebesse que o problema não era só dele e que podia ser ajudado. Atualmente, talvez os aplicativos sejam mais interessantes e sirvam ao mesmo objetivo.
4 – Baixo preço: mais baixo, pelo menos, do que uma psicoterapia com um terapeuta bem qualificado;
5 – Atendem várias pessoas ao mesmo tempo.
6 – São interessantes: talvez mais do que algumas terapias, com seus sons, cores e recursos tecnológicos.
Alguns estudiosos predizem que os aplicativos acabaram por incorporar as psicoterapias, uma vez que o mercado de trabalho é apelativo e já começa a oferecer bons salários a psicoterapeutas que trabalharem nesses atendimentos online dentro de seus aplicativos, ou no desenho e programação dos mesmos.
O que os aplicativos podem e não podem fazer
Aplicativos oferecem informações, não oferecem relações. Nós, humanos somos animais sociais, nossos cérebros operam melhor quando interagimos com os outros. O intercâmbio social muda a qualidade dos nossos neurotransmissores[5], sobretudo os envolvidos com alívio da ansiedade, estresse e depressão. Temos neurônios espelho[6], que captam a emoção dos nosso interlocutores e enriquecem nossa experiência empática.
Sabemos que a maior parte de nossas patologias emocionais surgem em relações de apego, sobretudo as primárias e, pessoalmente, acredito que é também numa relação humana presencial, continente e empática que consiste a mágica da psicoterapia.
Porém não podemos fugir do nosso tempo e creio que lutar contra a tecnologia seja uma batalha perdida. Por isso prefiro conhecer o que existe por aí , compartilhar o que descubro e me adaptar da maneira mais inteligente e ética possível.
Afinal somos, todos nós, aplicativos humanos únicos e específicos, os únicos , aliás, que podem oferecer informação e relação ao mesmo tempo.
[1] Sandmaier, M. (2016) – Left to our own Devices, Psychotherapeutic Networker Magazine/ November-December 2016.
ESTRESSE PÓS TRAUMÁTICO: o que um combatente de guerra tem a ver com violência doméstica?
O estudo do Estresse Pós Traumático tem crescido substancialmente nos últimos anos englobando, não apenas as Histéricas de Freud, mas também os combatentes de guerras, sobreviventes de tragédias naturais e as vítimas de abuso infantil e violência doméstica.
Os sintomas do transtorno de estresse pós-traumático podem surgir de repente, de forma gradual, ou ir e vir ao longo do tempo, acionados por lembranças, ruído, imagens, palavras ou cheiros. Judith Herman (1992) categoriza os sintomas em três grupos:
1 – sintomas de super-excitação ;
2-sintomas de intrusão;
3- sintomas de constrição .
Leia artigo completo no meu site https://www.rosacukier.com.br/pt/artigos
Falar com filhos adolescentes não é fácil. Invariavelmente os limites impostos pelos pais à rotina de festas, amigos, estudos, computador, gera enormes conflitos.
A boa notícia é que isto é bom. Um crescente corpo de pesquisa sugere que a forma como as divergências são tratadas em casa, contribui para a saúde mental dos adolescentes. Os prepara para gerir conflitos na vida adulta.
Observando adolescentes enquanto discutiam, especialistas categorizaram 4 estilos de enfrentamento: atacar, fugir, concordar ou resolver o problema.
Seguindo estes adolescentes ao longo de alguns anos, concluiu-se os rumos que tomavam. Os que tomavam o caminho de atacar ou fugir, eram mais susceptíveis de se tornarem deprimidos, ansiosos ou delinquentes. Aqueles que eram bonzinhos e sempre concordavam com os pais, observou-se a presença de altos índices de transtornos de humor.
Além disso, adolescentes que não aprendem a resolver os problemas em casa muitas vezes têm problemas semelhantes em suas amizades e vida amorosa. Em contraste, os adolescentes que usam a solução de problemas para resolver disputas com seus pais apresentam um quadro muito diferente. Eles tendem a apreciar a saúde psicológica das relações e são mais felizes aonde quer que estejam.
Ensinar a solucionar problemas
Porém como ensinar a solução negociada dos problemas, quando muitos pais não sabem como fazer isto? Um conflito construtivo entre pais e adolescente depende da disponibilidade de ambas as partes. Os dois lados precisam ver além da sua própria perspectiva.
Por sorte a capacidade intelectual para considerar múltiplas perspectivas se desenvolve na adolescência. As crianças mais jovens não têm a capacidade neurológica para compreender plenamente o ponto de vista de outra pessoa. Já adolescência há o desenvolvimento rápido nas partes do cérebro associadas com o raciocínio abstrato .
Temos que considerar também que os conflitos surgem como erupções de um vulcão e neste momento, mesmo para os adultos , é muito difícil tomar a perspectiva de outra pessoa. Pais, por exemplo, tendem, a exigir submissão e proibir radicalmente condutas perigosas, perdendo a oportunidade de uma interação mais produtiva.
Porém nada impede que, num segundo momento, quando os ânimos arrefecerem, seja retomada a discussão e seja feito um real esforço para entender, porque o adolescente queria empreender uma ação tão perigosa , ao mesmo tempo em se explicita o medo dos pais de perdê-lo e sua obrigação de protegê-lo dos perigos.
Nenhum pai ou adolescente pode, ou deve, transformar cada disputa em uma cuidadosa consideração de perspectivas opostas. Ainda assim, o saldo da pesquisa sugere que as divergências oferecem a oportunidade de ajudar os jovens a compreender melhor a si mesmo e aos outros e, ajudam a construir neles a habilidade de encontrar espaço para a civilidade no meio da discórdia.
PARE DE ELOGIAR TANTO SEU FILHO! Todos nós queremos que nossos filhos sejam bem sucedidos e felizes na vida. Nas últimas décadas, entretanto, deu-se uma exagerada importância à questão da autoestima. Com ela, gerando atitudes educativas de reforço incondicional à inteligência da criança, ao seu sucesso acadêmico e esportivo e, na vida adulta, econômico.
Nós pais acreditamos que, elogiando a inteligência de nossos filhos, criaríamos uma conta infindável de autoestima. Ela, por sua vez , garantiria o sucesso vida afora. Sem contar que nos agrada, narcísicamente, pensar que nosso filho é um gênio, reforçando a expressão: filho de peixe peixinho é!
− “Uau, você conseguiu um A sem estudar.”
− “Seu desenho é maravilhoso – você será o próximo Picasso!
Pois bem! Estudos atuais contestam esta ideia. Carol Dweck, psicóloga da Universidade de Stanford, escreveu um livro chamado Mentalidade, a nova psicologia do Sucesso ( Mindset: The New Psychology of Success , Ballantine Books, 2007), aonde descreve os resultados de uma extensa pesquisa sobre como as pessoas lidam com o insucesso.
Para o estudo, pesquisadores dividiram 128 alunos da quinta série em grupos e deu-lhes um teste de QI simples. A um grupo foi dito que tiveram resultados excelentes e que deviam ser muito inteligentes. Ao outro grupo foi dito que se saíram muito bem e que devem ter trabalhado arduamente para conseguir resultados tão bons. Resumindo, um grupo foi elogiado pela sua inteligência, o outro pelo esforço.
Em seguida perguntaram aos dois grupos se queriam fazer um outro teste um pouco mais difícil. Surpreendentemente, as crianças elogiadas por sua inteligência ficaram relutantes. Já aquelas do grupo elogiado pelo esforço, 90% se mostrou ansioso para realizar a tarefa mais desafiadora. No final do estudo concluiu-se que o grupo de esforço teve um desempenho significativamente melhor do que o grupo elogiado pela inteligência.
Insegurança
Este resultado mostra que elogiar constantemente, inflando a autoestima da criança pode gerar insegurança, vergonha e culpa pelo insucesso. Uma educação focada no sucesso, com expectativas exageradas de que a criança seja perfeita cria uma mentalidade rígida de pensamento, aonde ou se é vencedor ou perdedor. A criança, mais do que aprender, precisa provar o tempo todo que é a inteligente, a melhor da turma, etc. Quando acontece um fracasso ela se deprime e se desvaloriza .
Estudantes com estas características encaram insucessos como catástrofes e até já se descreveu uma doença do CEO, uma espécie de hipermania ou bipolaridade, aonde o sujeito ou consegue grandes negócios ou experimenta uma depressão impotente.
Segunda esta autora a educação infantil deve trocar o foco do sucesso e do talento nato ( “Meu filho é um gênio “) pelo do esforço constante e da persistência.
Afinal, a vida traz mudanças e problemas o tempo todo, mesmo para quem é inteligente, bonito, rico, etc., etc., etc. Aprender a resolver problemas e encarar as dificuldades como normais, isto sim, é um patrimônio que auxiliará seu filho , para o resto da vida!.
1 entre 4 meninas e 1 entre 6 meninos tem chance de ser molestado sexualmente antes dos 18 anos;
37% das vezes o abusador é alguém da própria família;
A maior parte das crianças nunca denuncia o abuso com medo de ser desacreditada ou punida ;
A maioria das crianças não sabe que um adulto tocar em seus genitais é errado.
Tocar nos genitais é gostoso e dá prazer.
Conversar com seu filho reduz a chance dele ser molestado e aumenta a possibilidade dele te contar se acontecer.
A partir dos 2 anos, a criança já fica sozinha sem os pais na escola, e em casa de parentes e vizinhos ( 85 % dos abusadores são pessoas conhecidas das crianças). Portanto 2 anos é a idade para iniciar esta conversa.
Diálogo
Fale clara e diretamente , muitas vezes sem assustá-los, exatamente como você os ensina a atravessar a rua. Diga o que pode ou não pode nas partes privadas e mostre quais são.
A hora do banho é uma ótima oportunidade para ensinar que partes privadas são aquelas cobertas pela roupa de praia ou pelas roupas íntimas.
Vale dizer que estas partes são tão especiais que só o papai , a mamãe e quem cuida da criança podem tocar para limpar, mas que ninguém mais deve tocar nestes lugares. E mesmo assim não é para doer. E se doer ela deve falar para os pais imediatamente.
Ensine para a criança os nomes corretos destas partes , assim como você ensina o nome de olhos, ouvidos, etc. Não use apenas apelidos ou gírias: pênis, vagina, peito.
É importante ensinar também que tocar nas partes privadas do outro também é errado e ninguém deve pedir que a criança o faça.
O corpo é dela é ela que manda nele. Ninguém tem o direito de machucá-la. Até beijos e abraços ela pode recusar se não quiser.
Encoraje seus filhos a contar se desconfiarem de algo ou alguém.
Diga-lhes que você sempre acreditará nela, e sempre a defenderá.
Nada pode manter seu filho 100% seguro, mas se você puder manter um canal de diálogo seguro , ficar de olho na criança e prestar atenção na reação dela às pessoas , você reduzirá o risco dela ser abusada sexualmente.
Brigas por dinheiro podem acabar com muitos casamentos. Há pesquisas mostrando que os casais brigam mais por dinheiro do que por sexo, mesmo antes de casar.
O dinheiro representa mais do que reais. Ele é frequentemente usado para expressar sentimentos em relacionamentos. É o que acontece, quando damos presentes de maior valor de acordo com a importância afetiva do contemplado.
Pode também servir para expressar amor, poder e respeito. Ou retido para punir, controlar ou humilhar[1]. Por isso prega muitas armadilhas em adultos apaixonados.
“Tudo o que você quer é apenas o meu dinheiro?”
Parece insensato falar de dinheiro no momento em que alguém pensa em se unir, por amor, a outra pessoa. Como se fosse indelicado ou pudesse introduzir a temida dúvida: tudo o que você quer é apenas o meu dinheiro?
Igualmente indelicado quando se discutem sistemas de partilhas de bens, discussão muitas vezes encerrada com a elegante opção: separação total de bens. Esta sim, uma falsa e traiçoeira saída para uma discussão que merece mais respeito.
Colocar o seu futuro financeiro nas mão do parceiro (a) , erro frequente entre mulheres, parece tentador mas é muito arriscado. Seu amado pode adoecer, morrer subitamente ou decidir te deixar, tirando subitamente o pseudo- tapete de segurança debaixo dos teus pés.
Falsas soluções
Inúmeras são as questões e falsas soluções, vejam:
1- O que é meu é meu e o que é seu é seu: isso não resolve os gastos em comuns e cria ressentimentos em quem tem menor poder de compra.
2- Quem tem dívidas e quem não tem, quem poupa e quem gasta. Como viver junto de um cônjuge que gasta se você é um poupador: os temperamentos precisam ser levados em conta.
3- Frequentemente há um jogo de poder quando o ganhador de dinheiro (ou aquele que faz mais dinheiro) quer ditar as prioridades de gastos: parece meio lógico, mas gera ressentimentos impagáveis.
4- Ter ou não ter filhos, e o dinheiro para mantê-los até a vida adulta é outra questão entre casais modernos. Um estudo, realizado desde 2008 pelo Instituto Nacional de Vendas e Trade Marketing e atualizado pela última vez em novembro do ano passado, calculou que filhos de famílias mais abastadas podem custar aos pais entre um milhão e dois milhões de reais, do nascimento aos 23 anos. Números trazidos a valor presente: Luiz Carlos Ewald, professor de finanças dos cursos MBAs da Fundação Getúlio Vargas (FGV), calcula cerca de R$ 1 milhão para a classe media brasileira.
5- Os dilemas da família estendida devem também ser considerados. Um dos cônjuges empresta dinheiro para os irmãos ou pais, o outro se ressente, porque quer poupar para os próprios filhos. Ou ainda um dos avós é mais rico que o outro e proporciona férias e presentes que o outro não pode oferecer: sempre há diferenças e há que se lidar com elas.
SOLUÇÕES
Especialistas em saúde financeira como Vicente Sevilha[2] concordam que a comunicação é a chave para a maioria dos desafios financeiros conjugais.
1- Antes de casar, discutir abertamente a situação financeira com seu parceiro (a) ‒ mencione dívidas, poupança, investimentos, herança, etc.
2- Se você já está casado e nunca conversou sobre esses itens, utilize este artigo como pretexto ‒ inicie um diálogo, sem tardar.
3- Se você já está casado pela segunda ou terceira vez, acrescente outros tópicos ‒ qual dinheiro será compartilhado; que dívidas possui com a outra (s) família, filhos na escola, por quantos anos pais mais velhos que precisam de ajuda financeira, etc.
4- Procure entender o temperamento financeiro do seu parceiro. Ele é um gastador ou um poupador? Qual o estilo financeiro da família original dele? Seus pais viveram em grande estilo ou lutaram muito para conseguir educá-lo? Quais os sonhos e medos em relação a dinheiro ‒ em geral, adultos têm uma forma de tentar se compensar por coisas que não tiveram na infância, às vezes de forma completamente atemporal e ilógica.2
5- Faça um orçamento familiar, por mais maçante que possa parecer ‒ há aplicativos agora que auxiliam nesta questão.
Comunicação
6- Pare de manter segredos. Eles explodem feito bombas no futuro. Uma conversa franca, ainda que tensa agora, previne vários problemas posteriores. Sugiro que cada um comece fazendo sua lista de gastos e poupança e uma lista de perguntas sobre as mesmas questões para o outro ‒ há sites (http://gestorfp.com.br/check-up/2) que oferecem questionários para avaliar o planejamento financeiro, escolham um e respondam os dois, e depois avaliem juntos as respostas.
7- Falar tudo o que se gasta com o esposo (a), pode ser asfixiante e constrangedor. Combinem, como casal, uma certa quantidade de despesas que não têm que compartilhar ‒ um dinheiro virtual para que cada um gaste como quiser, pode ser um bom exemplo.
8- Se você já for casado, fale sobre finanças de vez em quando. Avalie se o que foi decidido anteriormente, em termos de poupança e gastos está sendo mantido, ou se é preciso reavaliar ‒ a vida muda e novas prioridades sempre surgem, convém checar!
9- Use a linguagem na primeira pessoa do singular ao discordar do seu companheiro (a). Por exemplo: eu não acho assim, para mim não fica bom desta forma, etc. Nunca use uma linguagem absoluta ou vexatória, como “você é irresponsável, ou esbanjador”, por exemplo ‒ palavras ferem muito e às vezes levantam mais defesas do que acordos.
10- Peça ajuda, se lutas sobre dinheiro ameaçarem acabar com seu casamento. Existem consultores financeiros, terapeutas financeiros e terapeutas de casal ‒ procure-os! Vale o investimento.
Bibliografia
[1] Madanes, C. (1997.)- O significado secreto do dinheiro. Belo Horizonte: , Editora Livro Pleno, 1997.
2-Meirelles,V.( 2015)- O uso do dinheiro na vida adulta, Editora Salta, São Paulo.
Aulas de psicodrama online podem ser encontradas na sessão de cursos para compra do site de ROSA CUKIER ( www.rosacukier.com.br), aonde a autora oferece suas principais aulas para venda. São power points gravados, como programa Articulate Presenter , aonde os alunos podem acompanhar os slides e ouvir a exposição teórica e prática.
Os cursos são de diferentes extensões, entre uma a duas horas e meia de duração. Na compra, o aluno poderá ficar um certo número de dias olhando e ouvindo os slides, dependendo da extensão do curso.
São oferecidos os seguintes cursos:
1- Psicodrama com cenas regressivas.
2- Abuso infantil e violência doméstica.
3- Psicodrama das Adições: a luta entre a parte adita da personalidade e o verdadeiro self.
4- Eu te odeio ,por favor não me abandones: o paciente borderline e o psicodrama.
5- O Psicodrama da Humanidade, utopia, será?
6-Ajude seu cliente a dramatizar.
7-Abuso profissional.
8- Psicodrama Bipessoal: seu cliente, sua técnica, seu terapeuta.
9- Psicossociodrama da Inveja: atire a primeira pedra se for capaz!
Codependência é um mal tipicamente humano. Alguém disse, brincando, que a diferença entre o homem e os animais não reside tanto no fato dele ser racional mas sim, no fato do homem ter parentes. Talvez por nascer semi-pronto e ter uma longa infância sob os cuidados de alguém que o ajuda a sobreviver, o homem é o animal que se envolve mais longa e profundamente com seus antecessores e sucessores.
Pai, mãe, irmãos e irmãs, avós, sogros, tios e primos……. heis a nossa grande peculiaridade e também a fonte dos nossos maiores problemas!
Este o caso da codependência, um tipo de patologia emocional e vincular, descrita por estudiosos do comportamento humano nos EUA. Os primeiros estudos datam de 1983. Apesar dela ainda não constituir um quadro nosográfico no DSM-IV, existem vários1 livros escritos com este título, inclusive um , já traduzido para o português2.
Primeiramente a descrição deste quadro incluía apenas famílias de pacientes alcoólicos. Mas com o tempo seu significado foi estendido e atualmente o termo codependência também se refere à conduta de familiares e parentes de pessoas que tem algum problema grave e crônico, físico ou emocional.
“ Uma pessoa codependente e aquela que deixa o comportamento de outra pessoa controlar o seu e que fica, por seu turno obcecada em controlar o comportamento desta outra pessoa. “
Tudo começa com o fato de nos encontrarmos ligados (por amor, obrigação ou dever) a alguém muito complicado. Por ser uma pessoa doente física ou emocionalmente, que por conta desta doença se auto-destrói ou desiste de viver e precisa, aparentemente, de nosso apoio e cuidado constante.
Esta pessoa pode ser uma criança que nasceu com um defeito físico. Um adulto deprimido. Uma esposa ou amante anoréxica. Um irmão que não se saiu bem na vida. Uma irmã que sempre se mete em encrencas e parece frágil para resolvê-las. Um pai alcoólatra. Enfim, o importante não é quem esta outra pessoa é, ou qual doença ela tem.
Como somos afetados
O núcleo da questão está em nós mesmos, na forma como deixamos que ela afete nosso comportamento e nas formas como tentamos influir no comportamento dela ou “ajudá-la” . Estou falando, de uma reação à autodestruição do outro que acaba nos destruindo. Tornamo-nos vítimas da doença alheia e, quanto mais nos esforçamos para fazer esta pessoa abandonar o vício ou mudar de postura diante da vida, menos ela melhora e mais arrasados ficamos.
Parece que nossa vida gira em torno dela, não mais agimos por vontade própria mas sim reagimos à forma como o(a) doente está: se está bem ficamos bem, fazemos planos, temos esperança; na hora em que ele(a) volta a beber ou deprimir, suspendamos o cinema, os projetos, nos sentimos uma porcaria.
Sei que muitos de vocês já entenderam do que estou falando porque provavelmente vivem ou atendem pessoas que experienciam situações semelhantes. Talvez o que vocês não saibam é que alguns cientistas consideram este comportamento de ajuda crônica ao outro, em si mesmo, uma doença emocional, grave e progressiva. Dizem até que o codependente quer e procura pessoas complicadas para se ligar, só podendo ser feliz desta forma.
Eu não penso exatamente assim, pois muitos codependentes que atendi eram pessoas cansadas de sofrer e que queriam sinceramente mudar, mas seja por educação, religião, culpas variadas e… cada caso um caso , não conseguiam se desligar.
Características
Algumas características comuns aos codependentes me chamam muito a atenção:
são em geral pessoas de natureza benevolente, vieram de famílias emocionalmente perturbadas e desde a infância quiseram consertar as coisas que estavam erradas; tem uma tendência a se responsabilizar e culpar por tudo; são muito dependentes do amor, do elogio, da avaliação do outro;
acham que sabem melhor e que aguentam mais do que os outros determinadas situações; mentem para si mesmos dizendo que “as coisas estarão melhores amanhã”; ” esta foi a última vez “…;
tem dúvidas se serão felizes no futuro ou se algum dia encontrarão o verdadeiro amor; sentem dificuldades de estar perto de pessoas , se divertir e ser espontâneo;
alternam um cuidado super-carinhoso para com a pessoa doente e formas agressivas e grosseiras de lidar com ela;
vão se sentindo com o passar dos anos cada vez mais infelizes, deprimidos, isolados, violentos; tem desordens de alimentação ( ou comem muito ou pouco); acabam tendo algum tipo de adição: cigarro, álcool, calmantes, etc.
Esta doença de forma genérica está associada à várias formas de abuso infantil e os codependentes têm dificuldades basicamente em cinco áreas: 1- baixa auto-estima;2- dificuldade de colocação de limites; 3- dificuldades em reconhecer e assumir sua própria realidade; 4- dificuldades de tomar conta de suas necessidades adultas; 5- dificuldade de expressar suas emoções de forma moderada.
Tem cura?
Será que a codependência tem cura? Não há uma resposta simples a esta questão. Nos EUA formaram-se grupos de auto-ajuda, como por exemplo os grupos para famílias de alcoólicos anônimos, onde se procura discutir e dar apoio aos codependentes.
Minha própria experiência mostra que a psicoterapia , especialmente o psicodrama por ser uma abordagem que privilegia o estudo dos vínculos , costuma ser muito útil nos casos onde o codependente se encontra desiludido da própria potência para mudar a vida do outro e começa, realmente, a querer mudar a própria vida. O tratamento auxilia e encoraja o paciente a empreender as mudanças necessárias , a se confrontar com seu passado abusivo e se reposicionar diante do parente doente , afim de retomar uma forma mais saudável de viver, ainda que o parente continue querendo morrer.
Bibliografia
Beattie,Mellody ( 1994) – Codependência nunca mais! – Editora Best Sellers, São Paulo.
Rosa (1998)- Sobrevivência Emocional: as feridas da infância revividas no drama adulto, Editora Ágora, S.Paulo.
Cermak,T.L (1986) .- Diagnostic criteria for Codependency– Journal Of Psychoatctive Drugs. 18(1):15-20 citado por Mellody , Pia.- Facing Codependence, Harper & Row, Publishers, San Francisco ,1989.
Mellody , Pia ( 1989)- Facing Codependence, Harper & Row, Publishers, San Francisco ,